Thursday, March 14, 2013

Candonblé e Resistência:Carmen da Conceição Nazaré de Oliveira, Mãe Carmen do Gantois



No dia posterior a eleição do Papa Francisco, o Primeiro Pontífice da Igreja Católica, nascido na America Latina (oportunidade na qual acontece também pela primeira vez na história dessa mesma Igreja, a eleição de um franciscano para o cargo), venho dar continuidade a série intervenções que iniciei recentemente, nas quais cito mulheres as quais se constituem importantes lideranças políticas, em função da autenticidade e sabedoria demonstradas através das suas práticas diárias, sempre pautadas pela prudência e pela determinação na busca dos seus objetivos, os quais, invariavelmente, envolvem o bem estar do seu próximo.
Na Bahia, como é característica do projeto europeizante tocado pelas elites brasileiras pelos últimos 512 anos da nossa história, o Candomblé, tem sido ferozmente combatido e alvo de tentativas institucionalizadas de destruição dos seus valores,taxados como evidencias de “primitivismo e atraso”. É oportuno enfatizar o desenrolar de uma galvanização do referido caráter instrucional da discriminação contra o Candomblé, enquanto símbolo das Religiões de Matrizes Africanas, a partir de formações corporativas nas assembleias legislativas nas três esferas de decisão regulamentar da vida nacional, com raras e louváveis exceções. Nesse cenário, acreditem: a tarefa de conduzir o Candomblé “por esse mar de longo”, adicionando-lhe prestígio incontestável é tarefa para poucos. É partindo da plataforma intelectual composta por essas observações que mergulho na história dessa manifestação religiosa-cultural da qual sou Ministro, e pedindo a benção aos meus mais velhos,

Sua bênção meu Doté Amilton de Sogbo!: Vodun Aó!
Sua bênção Mãe Carmen!
Sua bênção Mãe Flor de Ogun!
Sua bênção Mãe Deca de Lemba!
A bênção Mãe Ninha Araundê,minha Comadre!
A bênção Egbon mi Mônica Millet!
A bênção Egbon mi Jaime Sodré!

 e comento um pouco sobre a descendência instalada no Terreiro do Gantois (do qual sou amigo e admirador antigo) a qual destaco, sem diminuir o igual brilho de muitas outras agremiações culturais-religiosas, conhecidas ou anônimas.
A tarefa que o Papa Francisco tem pela frente, de “recuperar o prestígio da Igreja Católica no mundo”, será marcada pelo caminho espinhoso da busca da conciliação de, entre tantas vertentes, de poderosos interesses antagônicos, de opiniões conflitantes defendidas por casas de poder dentro de uma organização administrada por indivíduos afeitos ao saber acadêmico e à organização do poder político em larga escala, porém, defensores de agendas marcadas por interesses corporativos, e, talvez, distantes das propostas de evangelização pela espiritualização do homem, salvo raras e louváveis exceções. Por isso, Deus o ajude!
Esse tipo de universo no qual o Papa Francisco adentrou ontem, 13 de março de 2013, na condição de líder, é, em escala reduzida, mas nem por isso menos complicada um espelho do universo característico de qualquer organização não tão grande, nas quais os seres humanos se associam para o exercício das suas práticas religioso-culrurais e o Candomblé não se constituiu exceção. Em função dessas características, seguramente, a baiana Carmem da Conceição Nazaré de Oliveira, ou melhor, Mãe Carmem do Gantois, tem lições de vida e conhecimentos em nível das necessidades protocolares comuns ao exercício vitorioso de uma liderança religiosa frutífera. Ou os leitores imaginam que reunir em um mesmo espaço pessoas de tão variados níveis da vida social do País em torno do serviço a “Orixá”, é tarefa fácil e pode ser tocada por leigos? É tarefa para privilegiados! Tem que ser exemplo de Fé, de Firmeza, de Maleabilidade e de Visão Política, e essas são algumas das características mais sólidas dessa Sacerdotisa, Mulher, Mãe, Guerreira e Política, no melhor sentido da terminologia.
Mãe Carmem de Oxalá é a Iyalorixá do Terreiro do Gantois, aqui na nossa cidade de Salvador, Bahia, Brasil. Ela é a filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois e a irmã caçula de Mãe Cleusa Millet (já falecida). Carmem foi iniciada no Candomblé para Oxalá, seu pai de cabeça, quando ainda era criança e desde então, não parou mais de se aprofundar nos estudos religiosos e fazer suas obrigações espirituais. É Ela quem repete o que apreendeu com sua mãe, a Ialorixá Maior Mãe Meninha do Gantois, que hoje vive no Orun, com relação aos “da casa” ou aos frequentadores da casa, poderosos ou humildes. “Não sei se é doutor ou PhD. Todos são filhos”, decreta, com a experiência vivenciada nos dois lados, de filha e agora de mãe, na vida e na religião – cujas fronteiras, em sua trajetória, estão mais que embaraçadas. Além das manifestações de afeto e respeito, ela foi agraciada pela UNESCO, em 2010, com a Medalha dos Cinco Continentes ou da Diversidade Cultural.
Segundo a sua filosofia de vida, “Não há futuro sem base no passado”, Esse parece ser o lema da ialorixá que se mostra rígida com os preceitos, devotada à família e cada vez mais atenta à vontade de Orixá.
Casou-se jovem e mesmo assim, continuou na religião e trouxe o marido para ela. Assumiu o posto de Iyalorixá do Gantois - Terreiro mais famoso do Brasil. Ela traz o segredo do Axé tendo ao seu lado suas duas filhas: Mãe Ângela Oxum e Mãe Neli de Oxossi. Carmen nunca se afastou das obrigações espirituais nem do terreiro. Foi iniciada para Oxaguian (Oxalá jovem) aos 7 anos de idade e na infância costumava “brincar de candomblé”, fazendo vestimentas de plantas. E mal percebeu as brincadeiras virarem tarefas de adulto. Mãe Carmen líder o Ilê Ìyá Omi Àse Iyámasé, o Gantois, ao lado de duas filhas biológicas, três netos (todos iniciados), uma bisneta e muitas filhas de santo. Acrescentando os demais frequentadores do terreiro, iniciados ou não.
Do mesmo trono de Menininha, entalhado com o símbolo da casa – uma sobreposição de ferramentas e elementos de vários orixás –, Mãe Carmen afirma: “A hierarquia é um fato”. Mas, quando se trata do posto que ocupa, garante: “Não sou vaidosa”.Pela sua própria trajetória e personalidade, não há espaço para vaidades dessa natureza. Há sim, a necessidade de muita atenção e firmeza. “É uma responsabilidade muito grande, é preciso estar não com os seis, mas os dez sentidos ligados. Eu sou exigente, às vezes chego a desenhar as coisas como devem ser feitas, seguindo a tradição, o legado”, estabelece.
Carinhos, faixas e títulos servem de conforto para quem teve de se conciliar com as incertezas internas, até enfrentar o desafio de assumir o posto que fora da mãe, uma decisão que demorou quatro anos para ser efetivada, em um período repleto de especulações e cobranças. No Ilê Ìyá Omi Àse Iyámasé, localizado no Alto do Gantois, bairro da Federação, desde 1849, a sucessão se dá por laços sanguíneos e a hierarquia segue a linhagem matriarcal: só às mulheres é permitida a direção do templo.
 Sua benção Mãe Carmen!

*Esse post é uma homenagem a minha filha mais velha Maria das Graças (Gal) aniversariante de hoje, a minha esposa Solange, a minha filha Silvana, feita de Ossanhe,a sua Mãe Espiritual Araundê, (minha comadre), a minha prima Patrícia(ela sabe por que), a minhas primas Sara e Soráia, a minha (A bençao, minha comadre).

Referencias

1.      Mãe Carmen; Acesso: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A3e_Carmem   (acessado em 14/03/2013);
2.      Santo forte; Brasileiros; Acesso: http://www.revistabrasileiros.com.br/2012/03/06/santo-forte/  (acessado em: 14/03/2013);

Wednesday, June 13, 2012

Estudando língua Iorubá-Nagô com a ajuda da Bíblia


Para os estudantes de Ioruba no nível intermediário um grande avanço no conhecimento e utilização de recursos de comunicação podem ser adquiridos mediante o exercício da  pesquisa individual independente. Por exemplo, a bíblia católica é um livro universal escrito em várias línguas, uma das quais é o Ioruba, e esta versão está disponível na Internet, no endereço:


A versão em Português aqui usada para comparação está no endereço:


Vamos estudar os primeiros cinco (5) versículos do Primeiro Livro:
Assim no primeiro livro, ou seja o Livro do Gênesis, vemos que em Iorubá, aparece ali no mesmo espaço onde ficaria o título em Português, a inscrição: Iwe Kini Mose, ti a npe ni Genesisi. Literalmente “Livro Primeiro,Moisés denominado Gênesis”. O trecho “ti a npe ni” (pode ser aproximado) aproxima-se do significado em Português: “que nós chamamos de” ou “que é chamado de”.

Em seguida, na primeira linha, ou seja, versículo #1, aparece:

1.1 Li atetekọşe Ọlọrun da ọrun on aye.

Em Português, o versículo #1.1 tem o seguinte texto: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. Estudando o significado das palavras-chave da sentença temos: Li é uma corruptela da preposição Ni . Esta forma é usada para iniciar uma frase honorífica; on = e ; ọrun on aye = céu e terra.          
 A partir do versículo #2, qualquer experiência anterior e mais um dicionário de Iorubá se fazem necessários. Se não vejamos:

1.2 Aye si wà ni jũju, o si şofo;òkunkun si wà loju ibú. Ęmi Ọlọrun si nràbaba loju omi. 

                (jũju = caos, confusão; şofo = vazio, vazia ; òkunkun = trevas ; loju (ou ni oju) = em cima, na superfície) nràbaba = pairar ; ibú = profundezas, abismo). Agira comparemos com o texto em Português:
 1:2 A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.
O versículo #3:

1.3 Ọlọrun si wipe; Ki imọlę ki wà. Imọlę si wà.

Em Português:
1:3 Disse Deus: haja luz. E houve luz.
Literalmente, “Ọlọrun si wipe” = Deus disse... “Ki imọlę ki wà” = “Que (a) luz (que) se faça (presente, venha)”, e na seqüência: “Imọlę si wà” = (A) Luz se fez presente (chegou).
No versículo #4, o texto em Iorubá, diz:

1.4 Ọlọrun si ri imọlę na, pe o dara. Ọlọrun si pàla si agbedemeji imọlę on òkunkun

Literalmente, “Ọlọrun si ri imọlę na” = Deus (foi ver) viu essa Luz. Na seqüência, “pe o dara ” = que é (bom) boa. E : “Ọlọrun si pàla si agbedemeji” = Deus dividiu no meio (dividiu em duas partes, agbedemeji = centro, meio) imọlę on òkunkun =Luz e trevas.Em Português se lê:
1:4 Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas.
 No versículo #5:

1.5    Ọlọrun si pè imọlę ni Ọsán ati òkunkun ni Oru. Ati aşalę atí owurọ o di ọjọ kini.

Em Português:
1:5 E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
E deixo para Você, leitor interessado, fazer a analogia entre os textos Iorubá e Português e assim continuar a prática que certamente lhe trará confiança e conhecimento.

O dabo!

Olùkợ Adelson

Sunday, March 25, 2012

A preservação da língua Iorubá e a lição dada por Cara “Titilayo Oynbo” Harshman

No Brasil, a língua Iorubá-nagô é mais um riqueza cultural ameaçada pelo culto a ignorância, ao racismo e a intolerância escamoteadas sob a capa de “novos” movimentos teológicos. Assistimos passivamente a eleição da brutalidade como forma de comunicação entre as pessoas. O “mau gosto” a falta de respeito pelo próximo tomam a forma de ordem do dia, e a condição de estereótipos do comportamento social sendo disputado entre os que se mostram mais afastados do amor ao conhecimento, os novos arautos do despudor e da mediocridade. Os expoentes da mídia brasileira, um grupo amorfo de boçais, cospem literal e visceralmente na cara do público, nos horários nobres e nos domingos, ensinando aos nossos jovens que o a flecha do vetor social humano aponta magistralmente para a volta a barbárie. Estudar, passar uma parte do tempo empenhado no processo de redução da ignorância, tem se tornado atividade supérflua. E isso, infelizmente, é uma perigosa tendência que se espalha pelas sociedades em todas as partes do mundo, como o fogo descontrolado de um incêndio alimentado pelo combustível irracional da moeda, vil metal que melhor traduz o amor ao ócio e a ignorância. Saturada no “velho mundo”, onde não há mais o que pilhar, a voracidade da “sociedade moderna globalizada” volta a sua tendencia antropofágica para a África, mais uma vez.Resultado: a maioria das culturas na África estão morrendo. E mais infeliz, em especial para nós descendentes dos povos do oeste africano, em nenhum outro lugar isso é mais verdadeiro do que na Nigéria. A maioria dos jovens não conhecem as tradições que definem a sua existência. Mesmo a língua, o primeiro formador da cultura das pessoas, está rapidamente se tornando alheio a estes jovens.

Como é possível tendência tão negativa como essa ser revertida para manter a alma da maioria dos grupos étnicos vivas? O que cada grupo étnico pode contribuir para a comunidade, e como isso pode ser destaque? Como podem as tradições da tribo ser passada para os jovens em face de assimilar culturas ocidentais pop? Na verdade, como pode a excelência cultural de um grupo étnico como iorubá ser comemorado de uma maneira saudável?

O Brasil, junto com Cuba, parte do Caribe, parte do Haiti parte dos Estados Unidos da Ámerica tem um compromisso iandiaável com a preservaçao dessas riquezas seja por conta do débito gerado pelo genocído que passou a história com o título de escravidão, seja pela conseqeunte ligação cultural que se estabeleceu como legado intrinseco a essa ligação.
Aí vem nos Estados Unidos da Ámerica vem o exemplo dado pela norte-americana Cara “Titilayo” Harshman.
Como uma amante da língua iorubá, Titilayo é uma verdadeira liderança por ser uma advogada em defesa da preservação cultural e linguistica Iorubá que tem sido capaz de educar e iluminar o mundopelo exemplo.Tendo estudado a língua iorubá nos últimos três anos na escola, ela sempre sonhou em trabalhar como jornalista freelance. Por isso, ela começou seu blog "A norte de Lagos" e blogs de vídeo semanais discutindo sua experiência enquanto estudava na Universidade de Ibadan.
Omoyele Sowore, o fundador e editor-chefe na organização de notícias Grass Roots convidou a para Nova Iorque, juntamente com 'Kayode' Kevin (outro exemplo de amor e respeito pela Cultura Iorubá) um dos outros alunos sobre o meu programa. Aqui estão três vídeos:
O primeiro é filmado em uma feira livre;
O segundo é um depoimento sobre o seu aprendizado de Iorubá
O terceiro é um pequeno esboço filmado em um restaurante Nigeriano no Brooklyn, chamado de Buka.


REFERENCIAS

Wikipedia
PRESERVING THE CULTURAL HERITAGE OF THE YORUBA-FROM THE GUARDIAN NEWSPAPER,AUG.2009 http://yeyeolade.wordpress.com/2009/10/19/preserving-the-cultural-heritage-of-the-yoruba-from-the-guardian-newspaperaug-2009/
O blog de Titilayo Cara “North of Lagos” : http://northoflagos.wordpress.com/2011/08/16/my-interview-with-sahara-reporters/



Wednesday, March 7, 2012

Curso Introdutório de Iorubá-Nagô na Casa da Nigéria 2012

Èdè Yorùbá: Lò ó, bi bęękợ, yóò pàdánù rę!

A tradução do título acima é: “ Lingua Iorubá: Se voce não usá-la, irá perdê-la!” . Essa frase foi tirada de um livro para o estudo da Língua Iorubá, o livro “Yorùbá Prime” cuidadosamente preparado pelo Professor Dr. Adébùsợlá Ọnăbàjò Ọnăyęmí. Esse livro está escrito em Iorubá e Inglês, é um livro para inciantes que permite incrmentar a sua familiarização com as particularidades dessa língua .A Língua (Èdè) Iorubá , é uma linguagem do Niger-Congo falada na África Ocidental por cerca de 20 milhões de falantes. É a língua nativa do povo Iorubá, falada, entre outras línguas, na Nigéria , Benin, Togo, Reino Unido, Brasil e EUA.e, Europa e nas Américas. É mais estreitamente relacionadas com a língua falada na região do delta do Rio Niger Niger e falado também na região central da Nigéria. É mais amplamente relacionada a outras línguas nigerianas do Niger-Congo, incluindo Edo, ibo e Nupe.
O Iorubá é um dos quatro idiomas oficiais da Nigéria e é um membro da família Níger-Congo de idiomas. É falada por cerca de 22 milhões de pessoas na Áfric e na Diáspora Negra.
O Iorubá apareceu pela primeira vez por escrito durante o século XIX. As primeiras publicações iorubá foram uma série de folhetos produzido por John Raban em 1830-2 com objetivos pedagógicos. A pessoa que fez a maior contribuição para a alfabetização iorubá foi Bispo Ajayi (Samuel) Crowther (1806-1891), que estudou muitas das línguas da Nigéria, incluindo iorubá, e escreveu e traduziu em algumas delas. Crowther foi também o primeiro bispo cristão de origem Oeste-Africana. A ortografia iorubá apareceu em cerca de 1850, embora tenha sofrido uma série de mudanças desde então.
No Brasil, o s povos de Kètu, Egba, Egbado e Sabé são alguns dos segmentos étnicos vindos da Nigéria durante o período escrvagista que aquíi ficaram conhecidos como Nagôs. O fato é que esses povos vieram para a Bahia provenientes da grande área Iorubá que compreende sul e centro da atual República de Benim, (antigo Reino do Daomé); parte da República do Togo: e todo sudoeste da Nigéria. E todos eles - com destaque para os Kètu contribuíram decisivamente para e implantação da cultura nagô na nossa Bahia, reconstituindo aqui suas instituições e procurando adaptá-las ao novo meio, com o máximo de fidelidade aos padrões básicos de origem, fidelidade essa em parte facilitada pelo intenso comércio que se desenvolveu entre a Bahia e a costa ocidental da África durante todo o século XIX até os primeiros anos que se seguirem à Abolição.
Para entender o predomínio da etnia Iorubá-Nagô na Bahia é necessário recordar que, nas últimas décadas do tráfico negreiro, um enorme contingente de escravos dessa região foi trazido para Salvador. Nesse momento, os núcleos familiares também não foram tão desmembrados como no início da escravatura, permitindo uma maior manutenção da cultura e dos costumes.Então em, meu nome e em nome do representante Oficial do Governo da Nigéria para a Bahia, o AdidoCultural Professor Oyewo Bamiji, descendente da Familia Real de Oyó (e que susbstitui o Professor Ayo Ayanwalé) saúdo a todos dizendo:
Mo ki Egbe Orisa-Vodun Ilu Bahia! fun isoji, igbega ati itankale ede Yoruba. Ede aladun yi nikan ni awa ti a wa ninu egbe yi yio maa ko si ara wa. A ko fe Geesi, Faranse tabi edekede, bikose Yoruba.
Awon omo Yoruba nikan ko ni egbe yi wa fun. Gbogbo awon ti o feran ede Yoruba, ti won si fe ilosiwaju re, ni a pe lati ba wa dapo.
Tradução:
Saúdo as comunidades Orixá e Vodun da Bahia! por reviver, elevar e divulgar a língua Iorubá. Essa língua doce é uma dentre as que temos em nossa sociedade. Podemos não gostar de Ingles, Francês ou de qualquer outra língua, mais não podemos deixar de amar a língua Iorubá.
Essa associação não é somente para os Iorubás. Todos os que amam (a língua) Iorubá, que querem vê-la progredir, são elegíveis.

Calendário de Aulas:

De 16 de março até 25 de maio


Início:
As aulas terão inicio no próximo dia 16 de março de 2012 (Sexta-feira) a partir das 19:00 com duração de hora e meia. Ou seja, das 19:00 as 20:30.

Instrutores
Professor Oyewo Bamiji
Professor Adelson de Brito
Informações: (71) 3326 2021
8644 7753
adelsonsb@gmail.com
Ę káàbọ ! (bem vindo!)

Saturday, December 24, 2011

Estudando Ioruba com a ajuda da bíblia

Para os estudantes de Ioruba no nível intermediário um grande avanço no conhecimento e utilização de recursos de comunicação podem ser adquiridos mediante o exercício da pesquisa individual independente. Por exemplo, a bíblia católica é um livro universal escrito em várias línguas, uma das quais é o Ioruba, e esta versão está disponível na Internet, no endereço:
http://www.archive.org/stream/rosettaproject_yor_gen-2#page/n0/mode/2up

A versão em Português aqui usada para comparação está no endereço:
http://www.vatican.va/archive/bible/genesis/documents/bible_genesis_po.html

Vamos estudar os primeiros cinco (5) versículos do Primeiro Livro:
Assim no primeiro livro, ou seja o Livro do Gênesis, vemos que em Iorubá, aparece ali no mesmo espaço onde ficaria o título em Português, a inscrição: Iwe Kini Mose, ti a npe ni Genesisi. Literalmente “Livro Primeiro,Moisés denominado Gênesis”. O trecho “ti a npe ni” (pode ser aproximado) aproxima-se do significado em Português: “que nós chamamos de” ou “que é chamado de”.
Em seguida, na primeira linha, ou seja versículo #1, aparece:
1.1 Li atekọşe Ọlọrun dá ọrun on aye.
Em Português, o versículo #1.1 tem o seguinte texto: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. Estudando o significado das palavras-chave da sentença temos: Li é uma corruptela da preposição Ni . Esta forma é usada para iniciar uma frase honorífica; on = e ; ọrun on aye = céu e terra.
A partir do versículo #2, qualquer experiência anterior e mais um dicionário de Iorubá se fazem necessários. Se não vejamos:
1.2 Aye si wà ni jũju, o si şofo;òkunkun si wà loju ibú. Ęmi Ọlọrun si nràbaba loju omi. (jũju = caos, confusão; şofo = vazio, vazia ; òkunkun = trevas ; loju (ou ni oju) = em cima, na superfície) nràbaba = pairar ; ibú = profundezas, abismo). Agira comparemos com o texto em Português:
1:2 A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.
O versículo #3:
1.3 Ọlọrun si wipe; Ki imọlę ki wà. Imọlę si wà.
Em Português:
1:3 Disse Deus: haja luz. E houve luz.
Literalmente, “Ọlọrun si wipe” = Deus disse... “Ki imọlę ki wà” = “Que (a) luz (que) se faça (presente, venha)”, e na seqüência: “Imọlę si wà” = (A) Luz se fez presente (chegou).
No versículo #4, o texto em Iorubá, diz:
1.4 Ọlọrun si ri imọlę na, pe o dara. Ọlọrun si pàla si agbedemeji imọlę on òkunkun
Literalmente, “Ọlọrun si ri imọlę na” = Deus (foi ver) viu essa Luz. Na seqüência, “pe o dara ” = que é (bom) boa. E : “Ọlọrun si pàla si agbedemeji” = Deus dividiu no meio (dividiu em duas partes, agbedemeji = centro, meio) imọlę on òkunkun =Luz e trevas.Em Português se lê:
1:4 Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas.
No versículo #5:
1.5 Ọlọrun si pè imọlę ni Ọsán ati òkunkun ni Oru. Ati aşalę atí owurọ o di ọjọ kini
Em Português:
1:5 E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
E deixo para Você, leitor interessado, fazer a analogia entre os textos Iorubá e Português e assim continuar a prática que certamente lhe trará confiança e conhecimento.

O dabo!

Olùkợ Adelson

http://yeyeolade.wordpress.com/2011/09/26/yoruba-language-is-dying-save-it-by-doing-what-ojogbon-adeboye-babalolalate-told-us-to-do-each-one-correct-one-when-a-person-mixes-you-supply-the-correct-yoruba-phrase-and-they-will-learn-to-stop/

Wednesday, December 21, 2011

A língua Iorubá-nagô

Ioruba (nome nativo Èdè Yorùbá, "a língua iorubá") é uma linguagem do Niger-Congo falada na África Ocidental por cerca de 20 milhões de falantes. É a língua nativa do povo iorubá, falada, entre outras línguas, na Nigéria , Benin, Togo, Reino Unido, Brasil e EUA.e, Europa e nas Américas. É mais estreitamente relacionadas com a língua falada no Itsekiri Niger-Delta e Igala falado na região central da Nigéria. É mais amplamente relacionados a outras línguas nigerianas do Niger-Congo, incluindo Edo, ibo e Nupe.
Iorubá é um dos quatro idiomas oficiais da Nigéria e é um membro da família Níger-Congo de idiomas. É falada por cerca de 22 milhões de pessoas no sudoeste da Nigéria,
Iorubá apareceu pela primeira vez por escrito durante o século 19. As primeiras publicações iorubá foram uma série de folhetos ensinando produzido por John Raban em 1830-2. A pessoa que fez a maior contribuição para a alfabetização iorubá foi Bispo Ajayi (Samuel) Crowther (1806-1891), que estudaram muitas das línguas da Nigéria, incluindo iorubá, e escreveu e traduziu em alguns deles. Crowther foi também o primeiro bispo cristão de origem Oeste-Africana. A ortografia iorubá apareceu em cerca de 1850, embora tenha sofrido uma série de mudanças desde então.





Fonte: http://www.omniglot.com/writing/yoruba.htm

Na nossa Bahia, "Ko si Vodun, ko si Orisa"

Para entender o predomínio da etnia yorubá-nagô na Bahia é necessário recordar que, nas últimas décadas do tráfico negreiro, um enorme contingente de escravos dessa região foi trazido para Salvador. Nesse momento, os núcleos familiares também não foram tão desmembrados como no início da escravatura, permitindo uma maior manutenção da cultura e dos costumes. E logo esses se integraram a vida urbana da metrópole. Nos dizeres de Edison Carneiro, no clássico “Candomblés da Bahia”: "Os nagôs logo se constituíram numa espécie de elite e não encontraram dificuldade de impor à massa escrava a sua religião". E complementa: "Quanto aos negros muçulmanos (malês), uma minoria entre as minorias, que poderiam ser êmulos(rivais) dos nagôs, pelo seu sectarismo, afastavam não só os escravos como toda a sociedade branca". A própria Mãe Aninha Obá Biyi era filha de um casal de africanos da etnia grunci, os negros Aniyó e Azambiyó, mas fora iniciada no pelos nagôs da Casa Branca do Engenho Velho. A presença de Xangô, seu orixá, solidificou ainda mais as tradições iorubás em sua trajetória6 .Novamente a evidencia dos nagôs se destaca observando-se que Nina Rodrigues, um dos pioneiros da antropologia do negro africano no Brasil, desenvolveu a sua pesquisa em uma casa de candonblé nagô – o candomblé do Gantois - onde conheceu duas de suas antigas Mães - de-
Santo, a fundadora Maria Júlia da Conceição Nazaré, e sua sobrinha e sucessora, Pulcheria – as quais atribuíam ao seu candomblé uma origem unicamente iorubá-nagô. Essa opinião foi posteriormente revista pelo próprio Nina, quando tomou conhecimento da discutida obra do Coronel Ellis (e de como as teogonias daomeanas, foram influenciadas pelos sistemas de crenças de seus vizinhos iorubás. Nina escreveu, então: "Uma vez reunidos no Brasil e dominando a língua nagô, naturalmente Jejes, Txis e Gãs adotaram imediatamente as crenças e cultos iorubanos. E como depois da iorubana, é a mitologia jeje a mais complexa e elevada, antes se deve dizer que uma mitologia jeje-nagô, prevalece, e não uma mitologia puramente nagô 8.
Dado importante para efeito de localização e foco da tese que defendemos no presente trabalho, é denunciar o descaso com relação ao negro e ao Afrodescendente, abandonados a própria sorte pelo poder público antes durante e depois da experiência escravista. Sem dúvida que as vicissitudes, sejam em formas de doenças e enfermidades, sejam em formas de aflições do espírito, canalizaram as ligações dos negros com suas Divindades e respectivas hierarquias espirituais.
A consolidação de uma Cultura Afro-bahiana de base Jeje-nagô: A função social do Candomblé
Vivaldo Costa Lima ainda ressalta que “... o encontro episódico e pouco duradouro do tempo apenas 'necessário para a transação com os negreiros da Costa não seria bastante para provocar uma tão profunda. Só os pacíficos anos da convivência e do comércio vicinal é que permitem esse tipo de fenômeno. Ou, então, alianças dinásticas entre chefes de nações diferentes, fazendo com que a esposa estrangeira de um Rei trouxesse suas crenças e seus ritos para uma nova terra e aí os impusesse, por seu poder e status. Mas o processo "aculturativo" entre os nagôs e jeje se deve ter acentuado na Bahia, pelo começo do século XIX, com a participação de líderes religiosos das duas culturas em movimentos de resistência antiescravista.